por Marisa Torres Co mbate ao estresse e aprendizado de inglês. À primeira vista são duas alternativas que não se complementam. Parecem até mesmo antagônicas, uma vez que treinar um idioma estrangeiro exige sempre um esforço adicional, a menos que se goste, goste muito. Mas a fórmula tem sido testada com sucesso por profissionais dispostos a romper definitivamente com a ausência de fluência do idioma universal no mundo dos negócios. A escola de idiomas English Village, um braço da UP Language, criou um programa de imersão que privilegia esses dois conceitos, por meio de um fim de semana destinado a falar exclusivamente inglês, num lugar em meio à natureza exuberante. Em cinco meses, com um fim de semana por mês, treinou 150 executivos. Em geral, os profissionais que participam de um programa de imersão estão sob pressão para ganhar fluência rapidamente no idioma estrangeiro. São executivos de multinacionais prestes a mudar de área, a avançar um degrau na carreira, a participar de uma apresentação do board, ou se tornarem anfitriões de colegas de trabalho vindos de outros países. Os sócios da UP Language, Lúcio Sardinha e Maynard Farrell, perceberam essa demanda no mercado e há cinco meses levam grupos de até 30 pessoas, para falar inglês sobre temas específicos. Assim como o tema - com aulas sobre, por exemplo, fazer uma apresentação de negócios, ou trabalhar em equipe - o local também é escolhido a dedo, prova disso é o cenário tranqüilo, acolhedor e de uma natureza deslumbrante do Spa Hotel Fazenda CH’ Na Tao, a 50 quilômetros de São Paulo, em Jundiaí. O lugar é tão agradável que, com sol, algumas atividades são feitas ao ar livre. Nova York O supervisor de administração de pessoal e relações trabalhistas da Corning Brasil, Benedito Marcos Galvão, há quinze anos na empresa, experimentou essa dobradinha num fim de semana. Optou por uma imersão em inglês para verificar o seu nível de domínio do idioma. A necessidade de falar inglês o fim de semana inteiro foi suficiente para ele constatar que irá precisar treinar mais conversação e ampliar o vocabulário.
“As aulas regulares três vezes por semana não me dão essa dimensão exata e eu precisava de um feed-back”, explica ele. E ele tem uma certa urgência. Marcos está se preparando para acompanhar o diretor de RH, Arnaldo Manoel Alves, ao encontro mundial promovido anualmente pela Corning, em Nova York. Essa reunião é com a cúpula de RH de todo o mundo, cerca de 200 profissionais, e é anunciado o RH do ano, eleito pelos subordinados. “Preciso causar boa impressão”, observa. Marcos está duplamente pressionado nesse sentido. Além da expectativa da viagem, na reunião do ano passado o seu diretor de RH, Alves, foi eleito o melhor na função. “Assim, todos têm curiosidade e querem conversar, saber como é o trabalho que ele desenvolve”, diz. O evento em Nova York deverá ocorrer em novembro. Assim, Marcos ganhou um pouco mais de tempo para aperfeiçoar o idioma. Em geral, o evento ocorre em setembro, mas em razão da crise mundial no setor de telecomunicações, a Corning é fornecedora de fibras ópticas, foi adiado. Para fazer uma viagem mais tranqüila, assim que definida a data do evento, Marcos diz que vai tirar duas semanas de férias e fazer aulas de inglês em período integral (full time) nesse período. Mais imersões Assim como Marcos, um grupo de executivos de múltis como Accenture, Volkswagen, Columbia Tristar, Boston Group, Philips e Ernst Young Consulting destinaram um fim de semana para treinar as habilidades de fazer apresentações em inglês. Executivo de contas da Sabre, Rodrigo Bonvino está na empresa há quase dois anos. Ele faz parte de um grupo de oito executivos de contas que visita virtualmente 1,8 mil clientes, em geral agências de viagens, para auxílio no uso de ferramentas e soluções tecnológicas.  Professor na faculdade de Turismo, da Unip, Rodrigo (último à direita na foto) não tem problemas de fazer apresentações na língua nativa, mas em inglês sente-se desconcertado. “Eu quero destravar o uso do idioma”, diz. Por esse motivo, mergulhou de cabeça no último fim de semana. A imersão em inglês foi uma forma de tentar vencer esse bloqueio e dar um ‘upgrade’ no aprendizado do idioma, ao qual ele destina regularmente três horas por semana. Estava tão determinado a isso que bancou o valor do investimento. O curso regular de inglês é pago pela empresa. O executivo já decidiu que irá colocar na previsão do ano que vem uns quatro ou cinco programas de imersão em inglês, para conseguir reembolso da área de treinamento da empresa. Rodrigo diz que esse tipo imersão é importante para que ele possa falar das características de sua função com mais naturalidade. “Ocorre que o meu departamento é novo na organização e estamos servindo de modelo para outras unidades”, observa. “E tenho recebido visitantes internacionais para fazer demonstrações de como a área atua.” Além disso, Rodrigo diz que o idioma oficial para a comunicação escrita na empresa é o inglês, uma vez que se trata de uma multinacional americana que fornece tecnologia para o mercado de turismo. “Preciso falar com fornecedores, participar de conference call e entender o que dizem”, justifica. Jornada intensiva Desde que saem de São Paulo, da sexta à noite até o retorno no domingo, o grupo não fala outro idioma, senão o inglês. Um grupo de professores experientes, a maioria deles com mais de 20 anos de profissão, além de dar toda a orientação, fazem severa vigilância nesse sentido. Mesmo as atividades de entretenimento são acompanhadas pelos professores. Um professor sempre tem lugar reservado à mesa, no almoço ou jantar, para participar dos diálogos com os executivos. Professores qualificados também acompanham o grupo em atividades de lazer, ao ar livre com jogos de integração, em passeios de exploração a lagos e visitas a área de bambuzais. Prepare-se e aproveite bem. Esses serão os únicos momentos de descontração ao longo de todos os dias. A cerimônia de encerramento também privilegia uma integração informal, num templo budista. Tirando esses momentos, a jornada de aula é longa, interrompida apenas para o tradicional coffee break. Segundo pesquisas da escola, é exatamente isso que os participantes esperam de um programa de imersão e a administração segue isso ao pé da letra. Prova disso é que aos poucos, a vigilância dos professores deixa de ser necessária, pois os participantes vão ganhando confiança e testando seus próprios limites na fluência do idioma. Afinal, esse tipo de contato prolongado abre espaço também para estender e reforçar a rede de relacionamentos (networking). .jpg?guid={A6CCF468-7246-4554-8248-EF1D9DDC7ED5})
O grupo de 30 pessoas é dividido em subgrupos de trabalho, ou salas de aula com seis alunos. A pré-seleção dos integrantes de cada equipe é feita antecipadamente em entrevista por telefone. Isso garante uma base de uniformidade na hora do ensino. Perfil A UP Language é resultado de uma fusão com outra escola de idiomas, há três anos. Nos últimos dois anos, a escola aumentou o faturamento em 200%. O carro-chefe da empresa ainda são os cursos de inglês in company, entre elas, IBM, Intel, Nestlé, Accenture, BMF. Além do programa de imersão, oferece cursos nas unidades Berrini e Santo Amaro e promove intercâmbio internacional e exames de certificação internacional para professores de inglês pela Cambridge e Câmara de Comércio de Londres. Serviço O preço dos cursos in company variam de R$ 150,00 mensais (turmas com carga horária mínima) até R$ 650,00 para aulas individuais. A próxima imersão via English Village será de 8 a 10 de novembro, com o tema: Team Development (trabalho em equipe). O valor do pacote é de R$ 598,00 em até 3 vezes sem acréscimo (inclui acomodação no hotel fazenda, alimentação e transporte. Testes escritos on-line e avaliação oral por telefone. Mais informações: 5505-0200, Ilana Brener. Faça um teste e confira seu nível de inglês aqui. _________________________________________________________________________ A editora de conteúdo do canalRh participou de um programa de imersão a convite da English Village. |